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FEBRAEC para Empresas

Publicado segunda, 22 de agosto de 2016, às 18:18
A influência do tempo no envelhecimento

Uma das primeiras constatações que fazemos na infância é que a maioria das coisas que vemos ou conhecemos, inclusive seres humanos, animais e objetos inanimados, se modifica ou se deteriora com o passar do tempo. Há quem encare o envelhecimento como algo inevitável, aceitando-o como o destino da maioria das coisas com as quais estamos familiarizados e como uma consequência normal da passagem do tempo. Outros levam uma parte substancial de suas vidas em atividades destinadas a deter ou anular os efeitos indesejados do envelhecimento em si próprios e naquilo que os cercam. Muitos dos objetos que temos em casa ou no local de trabalho precisam ser protegidos, consertados e renovados após algum tempo. Outros, com o envelhecimento, acabam sendo considerados mais belos e desejáveis.

Nos objetos materiais, a maioria dos danos causados pelo tempo é resultado da oxidação – a combinação de moléculas que compõem os objetos com o oxigênio da atmosfera. Nos objetos que contêm ferro, chamamos esse fenômeno de ferrugem, mas a voracidade do oxigênio em outros materiais também gera mudanças que associamos ao seu envelhecimento. Outras mudanças que ocorrem com a idade podem ser atribuídas a mudanças na temperatura, à água, à radiação, a traumatismos, a microorganismos ou insetos. Quando temos animais de estimação, podemos ver neles essas mudanças. Vivemos literalmente cercados de coisas vivas e inanimadas que estão continuamente mudando com o tempo. O envelhecimento é parte onipresente de nosso mundo material e vivo e acabamos percebendo que o fenômeno está ocorrendo também conosco.

O envelhecimento é a única doença fatal da qual todos nós compartilhamos. Durante muito tempo, os cientistas zombaram das pesquisas no campo do envelhecimento biológico, considerando-o desprovido de interesse ou fundamentalmente indecifrável. Felizmente, essa atitude mudou nos últimos anos e, em muitos países, realizam-se enormes esforços para entender o processo do envelhecimento. Para entendê-lo, porém, precisamos primeiro definir as mudanças que chamamos de envelhecimento. Afinal, como diz a máxima francesa, “grande parte dos problemas da humanidade é uma questão de gramática”.

IDADE CRONOLÓGICA VERSUS IDADE BIOLÓGICA

O envelhecimento desafia definições fáceis, pelo menos em termos biológicos. O envelhecimento não é a mera passagem do tempo; é a manifestação de eventos biológicos que ocorrem ao Longo de um período. Não existe uma definição perfeita para o envelhecimento, mas, como ocorre com o amor e a beleza, grande parte de nós o reconhece quando o sente ou vê. Todos reconhecemos uma pessoa idosa quando a vemos, e alguns de nós conseguem estimar bastante bem a idade cronológica das pessoas. No entanto, determinações subjetivas baseadas na aparência frequentemente são errôneas e, mais importante, a idade cronológica não está diretamente correlacionada à idade biológica. É necessário medir algo biológico que mude em função do aumento da idade – uma medida capaz de distinguir a idade biológica da idade cronológica. A distinção é crucial.

O conhecimento científico só avança quando podemos medir ou contar as coisas de alguma forma. Podemos determinar a idade das árvores contando seus anéis anuais e a idade de alguns peixes contando quantas camadas de escamas possuem, mas não há forma de medição disponível por meio da qual possamos determinar a idade biológica dos seres humanos e da maior parte dos outros animais. No caso dos homens, obviamente, podemos usar a certidão de nascimento, mas, por mais confiável que seja, ela especifica apenas um único ponto no tempo. A idade cronológica mede quanto tempo, quantos anos se passaram a partir daquele ponto. Informa-nos quando devemos comemorar os aniversários e que números devemos escrever no campo idade dos formulários, mas, para os gerontologistas, o envelhecimento é cronológico apenas no sentido legal ou social. O tempo, em si, não produz efeitos biológicos. Os eventos ocorrem no tempo, mas não devido à sua passagem. Os eventos biológicos que se seguem ao nascimento acontecem em momentos diferentes e em ritmos diferentes em cada um de nós.

Quando notamos, com surpresa, que alguém “parece mais jovem (ou mais velho) do que sua idade cronológica, estamos notando que todos nós temos ritmos diferentes de envelhecimento biológico. Os gerontologistas dispõem de uma boa quantidade de indícios científicos de que essa diferença aparente é real. É provável que as mudanças relacionadas à idade comecem em diferentes partes do corpo em momentos diferentes e que o ritmo anual de mudança varie entre várias células, tecidos e órgãos, bem como de pessoa para pessoa. Ao contrário da passagem do tempo, o envelhecimento biológico, às vezes chamado de envelhecimento funcional, desafia medições fáceis. O que gostaríamos de ter é uma ou algumas mudanças biológicas mensuráveis que espelhassem todas as outras mudanças biológicas associadas à idade sem referência à passagem do tempo, para que pudéssemos dizer, por exemplo, que alguém com idade cronológica de 80 anos tem idade biológica, ou funcional, de 60. Esse tipo de medição ajudaria a explicar por que uma pessoa de 80 anos de idade tem mais qualidades juvenis do que outra, também de 80 anos, que biologicamente pode ter 80 ou até 90.

Em termos de envelhecimento, assemelhamo-nos a uma loja de relógios. Cada um de nossos muitos tecidos ou órgãos comporta-se como um relógio independente, que trabalha em um ritmo diferente dos demais. Por causa disso, uma pessoa com uma determinada idade cronológica poderia ser consideravelmente mais jovem ou mais velha biologicantente, dependendo da velocidade média na qual seus relógios estão trabalhando. Seria muito mais informativo conhecermos nossa idade biológica do que nossa idade cronológica, mas infelizmente não temos como medi-la.

Isso não quer dizer que não tenhamos tentado. Os gerontologistas acompanharam várias medições biológicas para seres humanos ao longo do tempo, na esperança de que as mudanças encontradas pudessem prever o ritmo de envelhecimento. Mediram a cor do cabelo, o comprimento da orelha, a força muscular das mãos, a função cardíaca, a capacidade de realizar exercícios e dezenas de outras variáveis. Nenhum desses estudos estabeleceu uma medida infalível da idade biológica, e isso se deve pelo menos a um motivo importante: há um excesso de variabilidade individual nos possíveis marcadores do envelhecimento. Os seres humanos, já ao nascerem, apresentam uma enorme gama de diferenças na maioria das variáveis mensuráveis. As diferenças frequentemente não estão relacionadas à idade. É como se cada um de nós iniciasse a corrida para o envelhecimento com os pés em uma linha de partida diferente. Por exemplo, as mulheres em geral são menores do que os homens e, portanto, possuem uma menor capacidade vital. (Mede-se a capacidade vital como o volume de ar que um indivíduo é capaz de expirar forçosamente depois de inspirar profundamente.) Entretanto, as mulheres em geral vivem mais do que os homens. Por isso, a medição da capacidade vital obviamente é inútil como marcador do ritmo de envelhecimento biológico ou funcional.

Uma melhor abordagem para se determinar a idade biológica ou funcional poderia ser a medição da proximidade da morte em função de alguma mudança biológica anterior. Obviamente, a população estudada precisa ser inteiramente composta de pessoas que tenham morrido de uma causa conhecida, e a mudança biológica precisa ocorrer em função do envelhecimento, e não de uma doença ou do estilo de vida. Análises retrospectivas de populações humanas determinaram com sucesso algumas variáveis que têm valor na previsão da morte iminente. Esse tipo de estudo chama-se análise do fator de risco. Esse método mostra que a expectativa de vida dos fumantes, por exemplo, é inferior à dos não fumantes e à dos que abandonam o vício. Essa é uma informação valiosa, mas nada nos diz de significativo sobre o ritmo de envelhecimento. Os fumantes não envelhecem mais rápido do que os não fumantes. Em média, eles simplesmente morrem antes.

Mesmo que houvesse uma forma precisa de determinar a idade biológica, conhecer a idade biológica de uma pessoa poderia ser uma faca de dois gumes. Poderia dar margem a algumas comemorações de aniversário bizarras. Imagine que ocasião delirantemente feliz seria se você comemorasse seus 50 anos de idade cronológica sabendo que, biologicamente, tem apenas 40. Por outro lado, seria uma festa triste se cronologicamente você tivesse 50 e biologicamente 60! Maridos e esposas poderiam descobrir que, embora um seja cronologicamente mais velho do que o outro, suas idades biológicas são o inverso. Poderíamos até encontrar filhos adultos, biologicamente mais velhos do que os pais! A aposentadoria e os prêmios do seguro de vida deveriam se basear na idade biológica, e não na cronológica? Se assim fosse, algumas pessoas poderiam ser forçadas a se aposentar ou a aumentar o prêmio de seu seguro de vida aos 50, outras aos 80 ou até depois. Essas situações aparentemente estranhas se tornarão mais prováveis caso algum dia se descubra um marcador biológico capaz de demonstrar que a idade biológica de uma pessoa é muito superior ou muito inferior à sua idade cronológica.

Em outros animais e nas plantas, existem alguns marcadores biológicos da idade razoavelmente confiáveis. No entanto, esses marcadores nada nos dizem sobre o ritmo de envelhecimento, mas apenas sobre a passagem do tempo. As duas coisas estão relacionadas, obviamente, mas a passagem do tempo não mede o ritmo de envelhecimento. O exemplo mais familiar de um marcador biológico no reino vegetal são os anéis de crescimento que aparecem anualmente nas árvores. Marcas ou anéis dependentes do tempo também foram encontrados em alguns animais. Nos mamíferos, as marcas nos dentes das focas e os chifres de ovelhas, cabras e caribus foram usadas para determinar sua idade cronológica. O cerume das baleias também possui zonas de crescimento dependentes do tempo. Não se encontrou nenhum marcador dependente do tempo nos pássaros. Existem zonas de crescimento nos ossos da cobra e de outros répteis e nas camadas anuais que formam as escamas de muitas espécies de peixes. O número de barbatanas foi usado para medir a idade dos bagres e dos esturjões. Dentre outros sinais que ocorrem regularmente em alguns animais com a passagem do tempo, estão as marcas nos moluscos e nos otólitos, pequenas pedras encontradas no órgão do equilíbrio do ouvido interno.

Os seres humanos não possuem nenhum desses marcadores de idade, por isso, temos que nos basear nas certidões de nascimento, outros documentos, histórias ou lembranças para estabelecer a idade cronológica.

LONGEVIDADE, ENVELHECIMENTO E MORTE

Qualquer consideração séria sobre o envelhecimento biológico precisa definir todos os três fenômenos que caracterizam a finitude da vida. São eles: longevidade, envelhecimento e morte.

Longevidade é o período de tempo no qual se pode esperar que um animal viva, dadas as melhores circunstâncias. No caso dos seres humanos recém-nascidos, a longevidade média (expectativa de vida) nos países desenvolvidos é de cerca de 75 anos e a longevidade máxima (tempo de vida) é de cerca de 115 anos. A pergunta essencial sobre a longevidade é: por que vivemos tanto?

Envelhecimento representa as perdas na função normal que ocorrem após a maturação sexual e continuam até a longevidade máxima para os membros de uma espécie. A pergunta essencial do envelhecimento é: por que envelhecemos?

Morte é o evento final, quando a vida termina. Não é, como disse um piadista, a forma da natureza nos dizer para diminuirmos o ritmo. A pergunta essencial sobre a morte, obviamente, é: por que morremos?

A morte não precisa, de jeito algum, ser relacionada ao envelhecimento. Por exemplo, a morte de uma criança em decorrência de um acidente ou doença infecciosa não está relacionada ao envelhecimento. A morte está relacionada ao envelhecimento na medida em que, com a idade, aumenta a probabilidade de morte em todos os membros de uma espécie. A qualificação “todos os membros de uma espécie são importantes porque determinados subgrupos podem morrer antes que tenham oportunidade de envelhecer. Por exemplo, o aumento pronunciado na taxa de morte dos homens jovens nada tem a ver com o processo de envelhecimento; tem tudo a ver com acidentes de automóvel e, em algumas comunidades, com o homicídio”.

QUANTOS ANOS VOCÊ REALMENTE TEM?

Essa pergunta pode parecer tola. A maioria de nós sabe em que dia nasceu, da mesma forma que sabemos nosso nome. No entanto, em muitos países menos desenvolvidos, muitas pessoas desconhecem a data de seu nascimento. Na China, por outro lado, até mesmo os analfabetos sabem a data em que nasceram. Os chineses, no entanto, consideram-se com um ano no dia de seu nascimento e determinam sua idade de acordo com um calendário lunar, o que facilita muito a ocorrência de erros nos cálculos das idades dos chineses segundo o calendário solar ocidental, ou dos ocidentais segundo o calendário chinês. (Um mês lunar tem 29,5 dias. Portanto, um ano lunar de doze meses fica rapidamente fora de sincronização com nosso calendário solar de 365,25 dias. Para compensar isso, os chineses inserem um mês lunar extra em intervalos irregulares, o que toma o ano no qual o mês é acrescentado um ano bissexto.).

Ocorrem incertezas semelhantes sobre a idade quando ponderamos o que, dentro de cada um de nós, fica um ano mais velho a cada aniversário. Normalmente, pensamos não no envelhecimento das nossas células, mas sim em como nos relacionamos com nossa família e nossos amigos ou no que imaginamos que a sociedade espera de alguém de nossa idade. Porém, se você disser figurativamente que não é a mesma pessoa que era há cinco ou dez anos, estará literalmente correto. Todos nós somos compostos de bilhões de células individuais e dos produtos gerados pelas células. A maioria das células presentes no nosso organismo hoje não estava presente há cinco ou dez anos. Na verdade, algumas não estavam presentes nem mesmo ontem.

Existem pelo menos três tipos de tecidos nos quais as células estão em um constante estado de divisão: a pele, as células que revestem o trato digestivo e as células que produzem as células vermelhas e brancas do sangue. Muitas das células desses tecidos dividem-se diariamente e as células mais antigas são simplesmente eliminadas. As antigas células da pele estão na fronteira mais externa de nossa pele e acabam sendo eliminadas no meio ambiente. As células velhas dos intestinos são eliminadas no trato digestivo (sim, somos canibais de nós mesmos!) e as velhas células do sangue são literalmente digeridas por outras células, denominadas fagócitos. As células de outros tecidos são substituídas por novas células (um processo denominado renovação) ao longo de um período maior.

Dois importantes tipos de tecidos são compostos de células que não se dividem nem se renovam. São as células nervosas (encontradas no corpo inteiro, inclusive no cérebro) e as células esqueléticas e do músculo cardíaco. A maior parte das células do cérebro e dos músculos que uma pessoa possui durante a vida está presente desde o seu nascimento, ou logo após, e não se dividem mais. Os músculos, o coração e o cérebro crescem após o nascimento, em grande parte, porque as células que os formam aumentam de tamanho (não de número) e, em parte, porque outras células que cercam os neurônios e as células musculares se dividem e contribuem para o aumento de tamanho.

Se muitas das nossas células se renovam em menos de dez anos, quantos anos você realmente tem? Afinal, as células que se renovaram durante os últimos dez anos se foram e podem ter sido substituídas várias vezes por novas células. Assim, suas células atuais podem ser mais jovens do que as que estavam presentes há mais de uma década. A maioria de suas células não o acompanha do berço ao túmulo, por isso, figurativa ou literalmente, na verdade, você não é a mesma pessoa que era há alguns anos. A melhor resposta à pergunta “Quantos anos eu tenho?” é: você tem a idade de suas células mais antigas – os neurônios e as células esqueléticas com os quais nasceu e que ainda tem. Quando comemorar seu próximo aniversário, a precisão exige que você comemore apenas o aniversário de suas células nervosas e musculares e os produtos das células que não foram substituídos.

Porém, antes de você planejar a bizarra comemoração do aniversário de seus neurônios e células musculares, acrescentarei outra complicação. Embora sejamos todos compostos de células individuais e seus produtos, as células, em si, são compostas de unidades menores chamadas moléculas que, por sua vez, são compostas de átomos. A complicação é que, como resultado dos processos metabólicos normais, as moléculas podem se renovar ou ser substituídas sem que as células individuais nas quais estão contidas sejam substituídas. O que acontece com uma célula velha é análogo ao que poderia acontecer com um carro antigo. Se todas as peças do carro forem substituídas, o carro não será mais o mesmo. Se todas as partes da célula forem substituídas, a célula não será mais a mesma. Os neurônios com os quais você nasceu podem, aparentemente, ser os mesmos hoje, mas na realidade muitas das moléculas que os compunham quando você nasceu (exceto o DNA) podem ter sido substituídas por outras moléculas. Assim, células que não se dividem podem não ser as mesmas células com as quais você nasceu!

É provável que ocorra algum grau de renovação nas células que não se dividem, embora, com exceção do DNA, não tenhamos prova de que seja completa. Se a maior parte das moléculas nas células nervosas e musculares é renovada, a comemoração do seu aniversário será complicada por duas razões. Primeiro, se todas as moléculas, com exceção de algumas, tiverem sido renovadas, você literalmente será uma pessoa diferente hoje. Segundo, todas as suas moléculas, tenham ou não sido renovadas, são compostas de unidades mais fundamentais chamadas átomos, a maioria dos quais não sofreu mudanças desde a criação do nosso planeta. Você e eu representamos simplesmente rearranjos únicos de antigos átomos com bilhões de anos. Na verdade, somos compostos de átomos com bilhões de anos. Poderíamos mesmo nos considerar imortais! Nesse sentido, todos nós temos um bilhão de anos, independente de quando nascemos, e a comemoração de nosso aniversário passa a ser um absurdo.

Como compensação parcial para a perda das comemorações de aniversário, considere o seguinte benefício: os átomos presentes em nosso corpo podem ter sido parte do corpo de outra pessoa, morta há muito tempo. Essa é a única base científica para acreditarmos que nós, os vivos, representamos uma forma de reencarnação. Quando morremos, nossos átomos dissipam-se no meio ambiente, e alguns talvez venham a fazer parte de outro ser humano, em um padrão contínuo de átomos reciclados. Você poderia argumentar que se trata de um indício científico da vida após a morte. Nossos átomos são imortais, mas nós, como indivíduos, não. Diante da morte, o conceito que temos de nós mesmos desaparece para sempre, independente da origem e do destino de nossos átomos.

Tentar definir com exatidão a idade de um organismo vivo obviamente pode confundir nossa mente. O melhor que você pode fazer, se insistir na trabalhosa precisão, é comemorar o nascimento de todas as suas células mortas porque, embora elas não existam mais, foram elas que geraram as linhagens de células cujo resultado foi você.

ANIMAIS QUE NÃO ENVELHECEM

Os animais que alcançam um tamanho fixo quando adultos – dentre eles os seres humanos, todos os outros mamíferos e os pássaros – envelhecem. Alguns animais, porém, parecem não envelhecer, mesmo quando protegidos por seres humanos. Se envelhecem, o fazem em um ritmo tão lento que seu envelhecimento não foi demonstrado de forma convincente. Esses animais aumentam de tamanho indefinidamente, seu ritmo de crescimento pode diminuir com o passar dos anos, mas, aparentemente, não para.

Os animais que não envelhecem tendem a ser espécies mais primitivas. Dentre os exemplos típicos, estão as lagostas e muitos peixes, embora não todos (esturjão, tubarão), anfíbios (rã verde) e répteis (a tartaruga das ilhas Galápagos). Os animais que não envelhecem alcançam o pico de suas funções fisiológicas em algum ponto após a maturação sexual, mas, à medida que continuam a crescer, essas funções não parecem declinar. O exemplo clássico de crescimento indeterminado associado ao não envelhecimento é o do linguado. A fêmea cresce indefinidamente e não apresenta mudanças relacionadas à idade, mas o macho alcança um tamanho fixo e envelhece. Os motivos dessa diferença são um mistério.

Quando protegidos pelos seres humanos, que podem colocá-los em zoológicos ou aquários, os animais que não envelhecem simplesmente ficam maiores sem aparentemente ficar mais velhos. Crescimento semelhante ocorre nos animais selvagens. Novas gerações de peixes frequentemente quebram recordes anteriores quanto ao tamanho e peso de várias espécies de peixes e anfíbios. Quanto mais tempo mantivermos registros, mais esses animais que não envelhecem parecem crescer. Podemos, então, esperar que os recordes continuem sendo quebrados.

A tartaruga dos Galápagos pode viver 170 anos, o esturjão 82, e a carpa 50. Há lagostas de cerca de 25 quilos. Nesta época, provavelmente têm de cinquenta a cem anos. Embora os animais que envelhecem passem por um aumento no tempo de reação, as lagostas “idosas” fecham suas garras com a mesma velocidade, independente de sua idade cronológica. Se os membros dessas espécies aumentam de tamanho sem envelhecer, por que não vivem indefinidamente, tornando-se gigantes? Nem vivem indefinidamente nem se tornam gigantes porque, assim como os animais que envelhecem, eles ainda têm uma chance anual constante de morrer de acidentes, doenças ou vítimas da predação. Embora o envelhecimento não ocorra e a passagem de tempo não aumente sua vulnerabilidade a doenças, acidentes e predação, eles não são invulneráveis. O funcionamento de seus sistemas vitais talvez não diminua mensuravelmente após a maturação sexual, mas isso apenas os torna menos propensos a morrer dessas causas do que os animais cuja vulnerabilidade aumenta com o envelhecimento. Animais de tamanho indeterminado vivem mais, mas não são imortais.

Argumentou-se que a anêmona do mar é imortal, mas isso não é verdade. O argumento baseia-se em um famoso grupo de anêmonas do mar mantidas em um aquário no departamento de zoologia da Universidade de Edimburgo, de cerca de 1862 até sua misteriosa morte, em 1942. As anêmonas do mar são colônias de animais individuais e se comportam como qualquer outra colônia de células. Acreditava-se que outros animais que vivem em colônias, como o coral, vivessem muito ou até fossem imortais, mas hoje podemos estabelecer uma distinção entre a mortalidade dos indivíduos dentro de uma população e a imortalidade da população como um todo. Células de anêmonas individuais são mortais, mas a população como um todo pode ser imortal. O mesmo se aplica aos seres humanos.

No caso dos animais que envelhecem, a probabilidade da morte aumenta a cada ano depois que a prole alcança sua independência. Para nós, essa fase começa por volta dos 30 anos. Ao contrário de nós, os animais que não envelhecem têm a mesma chance de morrer a cada ano após a maturação sexual. No caso de um animal que não envelhece, a vida é uma espécie de jogo no qual uma moeda lançada no dia do ano novo decide seu destino para aquele ano. Se cara significa vida e coroa morte, então, embora o animal tenha uma chance de 50% de tirar cara no dia de ano novo, é muito pouco provável que o faça sempre e indefinidamente. A cada ano que escapa da morte, o animal vai ficando maior e envelhece pouco, quando envelhece. Entretanto, o animal não é imortal: é certo que, após um número suficiente de anos e tantas jogadas da moeda, sua sorte vai acabar mudando.

Parece peculiar que os mamíferos, uma das últimas e mais sofisticadas linhas de animais a evoluir, tenham um tempo de vida limitado (o número máximo de anos que podem viver) e mostrem os efeitos do envelhecimento, enquanto espécies primitivas como os tubarões e as tartarugas parecem não ter um tempo de vida fixo nem apresentar mudanças associadas à idade. Seria de se esperar que os animais mais evoluídos tivessem aprendido a não envelhecer, enquanto as espécies mais primitivas envelheceriam e teriam períodos de vida mais limitados. Alguns gerontologistas especulam que o envelhecimento e o tempo de vida limitado são o “preço que os mamíferos e outros animais altamente evoluídos pagam por manter um tamanho fixo na idade adulta e os benefícios de sua maior evolução”.

Publicado por Rodnei Domingues
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