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FEBRAEC para Empresas

Publicado segunda, 08 de agosto de 2016, às 18:40
Ensaio Sobre as Crises

OS ALTOS E BAIXOS DA ECONOMIA BRASILEIRA

O texto a seguir tem o objetivo de provocar uma reflexão sobre as oscilações da economia, suas causas e consequências.
Prof. Pesquisador Rodnei Domingues Abril de 2016

ENSAIO SOBRE AS CRISES OS ALTOS E BAIXOS DA ECONOMIA BRASILEIRA OS CICLOS ECONÔMICOS

A história evidencia que toda a economia passa por ciclos regulares de expansão e recessão.

A crise de 1929, foi denominada na época como a Grande Depressão e outros períodos de queda da economia também foram dominados como “depressão”.

A partir da queda de 60, passamos a nos referir a esses períodos como recessão e a palavra depressão passou a ser usada na área da saúde, como referência ao transtorno depressivo.

Existe um bordão bem-humorado que diz que a diferença entre recessão e depressão é que recessão é quando a economia gera grandes prejuízos aos outros e a depressão é quando gera grandes prejuízos a nós mesmos.

Sempre temos uma expectativa que no futuro a economia vai crescer e os negócios irão prosperar, uma evidência disso é que as empresas geralmente estabelecem objetivos de crescimento ousados para os próximos anos, amenizando as dificuldades, mesmo quando previstos entraves econômicos.

Esse otimismo permanente, desconsidera uma máxima da teoria econômica que diz que: toda expansão econômica um dia acaba e sempre acaba por motivos diferentes.

Com o objetivo de prever o futuro, os especialistas se predispõem a fazer projeções, mas seus índices de acertos costumam ser menores do que os da previsão do tempo para a próxima semana.

Isso acontece porque a economia não é uma ciência exata, movida apenas por números. O crescimento ou o declínio podem ser embalados também pelas expectativas, crenças e esperanças dos agentes econômicos.

Como é impossível prever com precisão os movimentos futuros da economia é sempre melhor estar preparado.

PIB – O PRINCIPAL INDICADOR

O PIB (Produto Interno Bruto) é o principal indicador global para apuração do desempenho da economia de um pais. Ele representa todos os produtos e serviços que um país produz em um determinado período e é pela leitura desse número que podemos saber se um pais está em crescimento ou queda.

Veja abaixo a evolução do PIB Brasil e como ele é medido.

INGREDIENTES DO CRESCIMENTO

No longo prazo o crescimento de um pais é decorrente desses três fatores:

- População - Capital - Inovação

O crescimento da população é um fator que favorece o crescimento da economia, assim como a diminuição contribui para o encolhimento.

O Brasil ainda é favorecido pelo crescimento da população econômica ativa, mas essa situação vai mudar no decorrer dos anos como demostra a figura abaixo.

Além de uma população em crescimento é necessário que essa população seja qualificada para garantir o crescimento do PIB. Um profissional qualificado pode gerar dezenas de vezes mais riquezas do que um sem qualificação. A qualificação gera também qualidade de vida para a população e reduz as diferenças sociais.

O capital é outro fator importante, porque permite os investimentos necessários para o aumento da produtividade. Um agricultor pode multiplicar sua produção se tiver acesso a apenas um trator.

E por último a inovação. São as novas ideias que mais contribuem com as grandes expansões dos PIBs. Em 1990 o Japão liderava todas as economias em crescimento, suas empresas inovaram e dominaram vários segmentos, mas em apenas dez anos, o Japão parou de inovar e surgiram nos Estados Unidos as inovações que levaram o pais a despontar e a crescer em um ritmo muito mais acelerado que o Japão.

Os Estados Unidos cresceram pelas inovações na área da tecnologia da informação e empresas como Microsoft e Apple lideraram esse crescimento.

AS CAUSAS DAS CRISES

De forma simplista podemos agrupar as causas das crises em três categorias:

- Naturais - Mercadológicas - Politicas

As causas naturais, são responsáveis por menos de 3% das crises econômicas mundiais. Elas estão relacionadas aos desastres naturais de grandes proporções, como por exemplo: furacões, terremotos e inundações. Também são enquadradas nesta categoria as grandes epidemias, que podemos citar como exemplos (1) a febre amarela que na década de 60 castigou a população e consequentemente a economia da Etiópia e (2) o Tifo que em meados de 1920 não só matou cerca de 3 milhões de pessoas na Europa Oriental e na Rússia, mas também agravou a situação de miséria de toda a população.

As causas mercadológicas, são responsáveis por cerca de 27% das crises econômicas mundiais. Elas estão relacionadas aos movimentos de empresas privadas, instituições financeiras e grupos com grande poder econômico que conseguem exercer influência na economia global pela apropriação de grandes lucros ou pela geração de grandes prejuízos que ressoam de forma ampla por vários agentes econômicos.

O aumento de 400% do barril de petróleo, estabelecido pela OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) em apenas 5 meses na década de 80 é um exemplo de grupo de grande poder econômico que impôs uma condição comercial com o objetivo de obter lucros astronômicos e que com isso gerou na época várias crises ao redor do Mundo, inclusive no Brasil.

A quebra dos grandes bancos Americanos em 2009 é um exemplo de conglomerado de instituições financeiras de grande poder econômico que causaram uma grande recessão decorrente da insolvência e da geração de prejuízos para muitos agentes econômicos.

As causas políticas são responsáveis pela maioria das crises. Cerca de 70% das crises econômicas ao redor do Mundo e estão relacionadas a medidas equivocadas adotadas pelos governos. Os principais motivos estão relacionados a priorização dos interesses próprios, em detrimento dos interesses dos países que comandam.

Hugo Chaves, é um bom exemplo. Como presidente da Venezuela adotou medidas no campo econômico visando muito mais a sua perpetuação no poder do que o desenvolvimento do País. Os efeitos dessas medidas são sentidos até hoje, muitos anos após ele ter deixado o poder.

O comando da Argentina pela família Christner, durante muitos anos, também é um outro exemplo de medidas econômicas geradoras de crises que destroem a economia de um pais.

Recém-eleito como presidente da Argentina, Mauricio Macri não precisou fazer mais do que anunciar medidas econômicas necessárias para o desenvolvimento do pais, para despertar o sentimento de esperança e recuperar rapidamente parte dos investimentos necessários para a retomada do crescimento da Argentina.

Podemos concluir que os governantes são os principais responsáveis pelas recessões e que as recessões podem diminuir se os interesses nacionais se sobrepuserem aos individuais e partidários.

OS PRESIDENTES E AS CRISES

O desempenho da economia pode manter ou derrubar o presidente. Inflação e taxa de desemprego podem definir o destino de um estadista.

Mas é necessário entender que o crescimento ou a recessão também é decorrente de diversos fatores circunstanciais que estão fora do alcance dos governantes. Um cenário internacional que apresente um grande aumento ou grande queda na demanda das commodities, pode influenciar o comercio exterior do Brasil positiva ou negativamente.

A maioria das decisões presidenciais mais importantes só impactam positiva ou negativamente na economia depois de muitos anos, provavelmente quando esse presidente não estará mais no poder.

O Presidente Fernando Collor tomou algumas medidas que favoreceram o crescimento econômico do Brasil quando ele já não estava mais no poder.

O mesmo aconteceu com Fernando Henrique Cardoso. O plano real é um exemplo de medida que favoreceu mais seus sucessores do que ele mesmo.

Isso significa que um governo não pode atuar pensando apenas no curto ou no médio prazo. Para governar e garantir o crescimento econômico, minimizando a possibilidade de recessões é necessário pensar no longo prazo.

Os investimentos em infraestrutura, como a construção de rodovias, portos e aeroportos são a base para que a economia possa crescer sem gargalos e atrair investimentos, porque sinaliza a adoção de uma política que está planejando o desenvolvimento do pais no longo prazo.

Outro entrave para os presidentes é que eles precisam da maioria no congresso e no senado. Não é incomum a maioria não ser conquistada, porque os partidos de oposição bloqueiam toda e qualquer inciativa que possa ajudar o pais a melhorar, visando facilitar a troca futura dos governantes.

Mas além disso, existe uma outra causa que contribui muito com a degradação e a recessão, é a corrupção.

A corrupção no Brasil já foi muito pior, se considerarmos que na década de 70 era impossível licenciar um veículo, abrir ou fechar uma empresa, obter um alvará sem pagar uma propina. Hoje situação está melhor, mas longe ainda do ideal.

A corrupção na máquina administrativa do governo no Brasil é fomentada pelo “sistema” que tem como mola propulsora a distribuição dos impostos entre a Federação, os Estados e os Munícipios.

Enquanto o governo federal se apropria de 70% dos impostos recolhidos e os Estados ficam com 25%, restam aos Munícipios apenas 5%. Isso significa que para realizar qualquer melhoria em seu município o prefeito precisa “vender” seu apoio ao Governo Federal.

Não havendo dinheiro suficiente para o Estados e Munícipios resta apenas aos governadores e prefeitos conceder apoio político ao governo federal para conseguir realizar parte de seus projetos de melhoria. Esse modelo incentiva e institucionaliza a corrupção, como aconteceu no “mensalão” e na Petrobras.

COMO A IMPRENSA CONTRIBUI COM A CRISE.

Não podemos negar o quanto a imprensa livre contribui com o desenvolvimento de um pais, mas também não podemos deixar de considerar o quanto a imprensa ressalta e enfatiza as notícias que acenam com as possibilidades do agravamento de uma crise ou de uma recessão.

As notícias predominantemente negativas são decorrentes da atração que elas exercem sobre a população em geral. A notícia de um assassinato gera mais interesse do que a notícia de uma família fazendo uma festa para a avó que completa 100 anos.

Apesar de todos os percalços, temos que considerar que em 1995 o PIB brasileiro era de R$ 705 bilhões e que em 2015 o PIB fechou e R$ 5.900 trilhões. Isso significa que o valor de 1995 cresceu 8,5 vezes.

Para informações como essa, não são dedicados os mesmos espaço que a imprensa dedica a projeções apocalíticas.

Mas a imprensa não vai mudar, por isso será cada vez mais necessário que a população esteja preparada para poder filtrar e selecionar as informações relevantes.

COMO LIDAR COM A CRISE

As crises vêm e vão, nos países elas duram menos tempo e tendem a ser menos graves. Nos países em desenvolvimento elas duram em média entre 2 e 3 anos e costumam ser mais graves do que nos países ricos. Os altos e baixos da economia brasileira e mundial vão continuar acontecendo e só nos resta aceitar que não iremos caminhar em terra firma e segura sempre, mas que temos que aprender a surfar nas instáveis ondas da economia em tempos de recessão.
São nos momentos de crise que muitas oportunidades aparecem, muitos negócios crescem e surgem novos milionários.

Existem três formas de sair de uma crise e as três começam com “F”:

- Falido - Fragilizado - Fortalecido

Quem sai fortalecido é porque entrou na crise melhor preparado e não se deixou abater por ela.
O que diferencia quem ganha na crise de quem perde é a atitude adotada nesse período. Enquanto os perdedores consideram que suas perdas são inevitáveis e aceitam perder, os ganhadores se esforçam a encontrar oportunidades para superar a crise.

Publicado por Rodnei Domingues
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