MENU
PRODUTOS

Conheça a FEBRAEC - Instituição de Indicação de Negócios de Consultorias

Prêmio Melhores Práticas em Educação Corporativa

Confira as fotos e o vídeo completo da premiação da FEBRAEC.

Febraec para empresas

FEBRAEC para Empresas

Publicado sexta, 02 de junho de 2017, às 16:43
Importação de Combustíveis no Brasil

A partir de 2013 via resolução ANP nº45, as distribuidoras se viram obrigadas a aumentar seus níveis de estoque em três dias nas bases das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, próximas aos polos supridores e em cinco dias nas bases das regiões norte e nordeste que recebem produtos por cabotagem, exigindo um aumento significativo em sua necessidade de capital de giro (NCG), causando dificuldades em seus fluxos de caixa. Essa medida da agência foi necessária em virtude das constantes dificuldades das refinarias instaladas de fornecerem produtos de forma regular, levando alguns locais a operar de forma crítica tendo que importar produtos de outras refinarias em função da necessidade importante das paradas de manutenção e também porque a maioria delas já operava nos seus limites de produção, isso tudo fruto da estagnação nos investimentos em novas plantas de refino. A maioria, com exceção de Abreu e Lima em Pernambuco, já tem mais de trinta anos de operação. Aliado a tudo isso, como o advento dos escândalos de corrupção apontados pela operação “Lava Jato”, deflagrada pela Polícia Federal, agravou-se também o caixa da Petrobras, fazendo com que o crédito ofertado aos seus clientes fosse reduzido praticamente a zero e mais uma vez deteriorando a NCG das distribuidoras, principalmente das regionais, provocando mais uma vez o fechamento de distribuidoras autorizadas pela Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Para se ter uma ideia, a quantidade de distribuidoras autorizadas pelo órgão em 2017 chega a 160 empresas, segundo o portal da agência após o último recadastramento. Esse número já foi muito maior no final dos anos 90. Voltando à situação da Petrobras, a sua atual administração anunciou a venda de diversos ativos e a redução drástica de seus investimentos nos diversos setores da cadeia do petróleo. Podemos afirmar que o Brasil é autossuficiente em petróleo. Isso nos faz crer que não precisamos importar qualquer combustível derivado de petróleo, como gasolina ou diesel. A realidade, no entanto, é bem mais complexa. Apesar de sermos autossuficientes na produção de petróleo cru, temos ainda uma deficiência grande no refino de derivados, parte por falta de investimentos em novas refinarias, tornando o Brasil um grande importador de combustíveis, conforme quadro abaixo:





























2000



2016



DIESEL



5.801.873



7.918.324



GASOLINA



60.737



2.926.182



Fonte ANP










De acordo com o Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), a Petrobras terá de importar até 2020 cerca de 120% do que importa atualmente. Sem novas refinarias, a importação de combustíveis pode dobrar até 2025. A diretoria da ANP diz que a importação pode atingir um milhão de barris por dia e o país terá que garantir estrutura para distribuir combustível importado. A importação pelo Brasil de derivados do petróleo, com a gasolina, deve dobrar nos próximos dez anos, caso não sejam retomados os investimentos na construção de refinarias, afirmou a diretoria da ANP. Essa declaração foi feita durante a câmara, em Brasília, que discutiu os impactos do cancelamento, pela Petrobras, de dois projetos de refinarias, no Maranhão e no Ceará. A decisão foi anunciada em meio à crise provocada pelas denúncias de corrupção na estatal. Caso o país não eleve a sua capacidade de refino para evitar risco de desabastecimento, o governo terá que investir nos próximos anos na ampliação da infraestrutura de distribuição de combustível importado pelo interior do país. Atualmente, o Brasil refina cerca de 2,2 milhões de barris diariamente. Se não for feito investimento em refinaria, teremos que nos certificar que temos infraestrutura no país para que a importação possa ser feita interiorizada, chegando até o consumidor final. Ou seja, hoje as importações já equivalem a 15,23% do consumo brasileiro (2016, fonte ANP), sem considerar que caso voltemos a ter um ciclo de crescimento econômico essa situação se agravará. As regiões Norte e Nordeste, por estarem mais longe dos mercados vendedores e mais distantes das principais refinarias, foram os locais onde os produtos importados chegaram com mais força.



O comando das importações durante muito tempo ficou a cargo da Petrobras, contudo observamos ao longo de tempo, conforme tabela abaixo, uma gradativa entrada de novos grupos importadores assumindo esse papel. Hoje são 200 empresas importadoras autorizadas a operar pela ANP, número superior à quantidade de distribuidoras instaladas no país.



As diferenças de preços entre os produtos vendidos pela Petrobras (Diesel e Gasolina) e os produtos importados já internalizados com todos os impostos e taxas recolhidos está fazendo com que o mercado comece a se movimentar no sentido de aproveitar essa janela aberta e melhorar a competividade e lucratividade das distribuidoras, ou seja, quem não conseguir comprar produtos fora do sistema Petrobras poderá comprometer o resultado ao longo do tempo dificultando suas vendas aos postos de combustíveis e consumidores finais.



Particularmente, as pequenas distribuidoras regionais são aquelas que têm maior dificuldade logística e financeira para entrar na importação direta e vem sofrendo mais devido à dificuldade no acesso. Por outro lado, as grandes empresas do setor em função de suas redes e pouca atuação no mercado spot (vendas para os postos bandeira branca) vêm obtendo resultados cada vez melhores já que elas têm acesso privilegiado em função da escala e melhor capacidade logística. É possível, se os preços continuarem com as diferenças hoje apresentadas, que outras regionais sejam incorporadas pelas maiores ou que simplesmente encerrem suas atividades.



O maior problema enfrentado pelo sistema é a infraestrutura portuária brasileira. Os principais e maiores terminais pertencem à Transpetro, empresa do grupo Petrobras, e que estão em sua maior parte na ociosidade. O Brasil tem um gargalo enorme nessa área, pois os terminais marítimos são escassos, e aqueles disponíveis cobram taxas de armazenagem bastante salgadas, obviamente também aproveitando o momento. É possível que com o movimento de desmobilização da Petrobras esse gargalo diminua.



É verdadeiro também que a estatal vem observando esses movimentos com a cautela necessária e poderá intervir nos preços à medida que as importações venham a atrapalhar alguns polos e possam colocar em risco o desempenho de suas refinarias. Ela já demonstrou isso, mesmo que timidamente, em algum momento reduzindo seus preços para adequação ao mercado internacional. A Petrobras está de olho na evolução da entrada de produtos importados, mas também fica atenta ao desempenho do seu caixa.



Finalizando, podemos observar também um movimento interessante e estrutural de algumas distribuidoras procurando desenvolver suas próprias importadoras, já que não podem importar diretamente, atentas ao seu negócio e na oportunidade de venda desses produtos para congêneres menos capazes de entrar nesse negócio e, dessa forma, passariam a melhorar sua margem bruta operacional.


Publicado por Vinícius Antunes Costa
Compartilhe esta página em suas redes sociais