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As cinco principais causas das maiores crises econômicas no Brasil e no mundo

Publicado quarta, 22 de julho de 2020, às 16:31
As cinco principais causas das maiores crises econômicas no Brasil e no mundo

A palavra “crise” vem do grego “krisis”, que significa situação que exige tomada de decisão, mudanças de rumo, estresse e perdas, causadas por fatores que nem sempre é possível controlar.

As crises econômicas estiveram presentes com frequência na história, geraram prejuízos e mortes, mas também impulsionaram a inovação e o desenvolvimento. Esse texto resume as crises econômicas, que aconteceram no Brasil e no Mundo e aponta as suas cinco principais causas, que foram:

1. Guerras Mundiais: os danos a economia duraram em média 9 anos, intensificaram as correntes migratórias, aumentaram substancialmente os gastos dos governos e reduziram drasticamente o poder aquisitivo da população.

2. Pandemias: os danos a economia duraram em média 6 anos, foram

geograficamente mais abrangentes, mais letais e de altíssimo custo.

3. Crédito e endividamento excessivo: os danos a economia duraram em média 5 anos, ficaram mais concentradas geograficamente e aumentaram as desigualdades sociais.

4. Bolhas especulativas: os danos a economia duraram em média 3 anos, as falências ficaram mais concentradas nos bancos e nas empresas com ações nas bolsas.

5. Concentração excessiva das riquezas: essa causa, que continua a assombrar as economias de todo Mundo, esteve presente em todas as crises, como causa raiz ou como fator de agravamento.

Vale ressaltar que as causas, 3 (crédito e endividamento excessivo) e 4 (bolhas especulativas), ambas geradas pela ganância e excesso de otimismo, foram responsáveis pelo maior número de crises.

Outras causas, como, catástrofes naturais, guerras civis, conflitos políticos e políticas econômicas inadequadas, também contribuíram para crises econômicas regionais e de menor impacto global.

AS 12 MAIORES CRISES ECONÔMICAS MUNDIAIS

1- Em 1347, aconteceu a Peste Negra, que desencadeou uma das primeiras grandes crises econômicas Mundiais que se tem registro. Devido à falta de dados oficiais, os danos causados foram estimados. As mortes entre 75 e 200 milhões de pessoas, na Europa, Oriente Médio e Ásia, cerca de 50% da população Mundial. Essa pandemia levou milhares de pessoas e países a miséria. A sua contribuição foi o estabelecimento das primeiras regras sanitárias, como os fechamentos de fronteiras, imposição de quarentenas aos contaminados e aos viajantes que entrassem pelos postos de controle.

2- Em 1637, a crise denominada Mania das Tulipas, detonada nos Países Baixos, nos deixou como aprendizado a “lei da oferta e demanda”. Aconteceu em decorrência de excesso de oferta para uma população sem recursos suficientes para consumir.

3- Em 1711, a crise que ficou conhecida como a Quebra dos Mares do Sul, empresa privada que recebeu os direitos exclusivos do comércio com a América do Sul, desencadeou a crise, gerada por uma bolha especulativa, que atribuiu a empresa um valor muito superior ao valor real. A quebra dessa empresa e da confiança, gerou paralização no comércio internacional e prejudicou a economia de muitos países.

4- Em 1720 a quebra da Companhia do Mississipi, que se expandiu como Companhia das índias e em 1719, possuía o monopólio econômico nas colônias francesas na América do Norte e nas Índias Ocidentais, quebrou em 1720, em decorrência de bolha especulativa. A quebra dessa empresa de navegação, gerou graves danos a economia mundial.

5- Entre 1873 e 1896, o sistema capitalista viveu a crise, chamada de Grande Depressão. A concentração de capitais e a ascensão das grandes indústrias (e dos monopólios) tornaram viável o aumento da produção industrial e da industrialização pelo mundo, o enriquecimento de poucos capitalistas industriais e o empobrecimento de grande parcela da classe trabalhadora. Essa crise gerada pelo descompasso, entre a superprodução e uma população de trabalhadores sem poder aquisitivo para consumir, deu origem a expressão: não há empresário rico se a população for miserável.

6- Entre 1914 e 1919, a Primeira Guerra Mundial e a Gripe Espanhola, provocaram nova grande crise na Economia Mundial. Não é possível saber quais foram os prejuízos econômicos gerados pela Guerra e pela Pandemia. Como os dados econômicos da época são escassos, existem apenas estimativas de que o impacto negativo dessa crise no PIB mundial foi de 6%. Cerca de doze países sofreram redução significativa no PIB e queda significativa no consumo. Por outro lado, essa crise mostrou que políticas econômicas adequadas, podem ajudar a superar a crise rapidamente. Essas políticas levaram os Estados Unidos a uma fase de grande prosperidade econômica e a Europa a se reerguer, a recuperar mercados consumidores e a conquistar novos patamares de desenvolvimento tecnológico.

7- Em 1929 o crash da Bolsa de Valores de Nova York gerou grande impacto e atingiu fortemente as maiores economias do mundo. As principais causas foram, à falta de regulamentação da economia, o excesso da oferta de créditos baratos, o aumento substancial da produção industrial e a baixa capacidade de consumo da população. Com estoques em alta e preços em queda, várias empresas foram à falência. Nos três anos seguintes, o PIB mundial encolheu 15%. Nos Estados Unidos, a produção industrial encolheu 46%, o desemprego chegou a 25% e o comércio exterior americano encolheu 70%. Foram necessários 10 anos para que o PIB americano voltasse aos níveis de 1928.

8- Entre 1939 e 1945, a crise gerada pela Segunda Guerra Mundial, deixou milhares de mortos, incontáveis feridos e redefiniu o equilíbrio do poder mundial. Os principais efeitos foram a ascensão dos Estados Unidos, a divisão do mundo entre capitalismo e socialismo e o surgimento da ONU, mas além das perdas humanas, a guerra desencadeou uma crise econômica, porque gerou 1 trilhão e 385 bilhões de dólares em perdas monetárias. Do montante, 21% coube aos Estados Unidos, 13% à União Soviética, 4% ao Japão e o restante aos demais envolvidos. Todos os 72 países participantes acumularam grandes perdas. Houve intensa queda na produção industrial, porque os investimentos dos governos foram direcionados para artefatos de guerra, em detrimento de outras áreas, gerando intensos problemas sociais. Se para a maioria dos países houve grandes perdas, para os Estados Unidos, a guerra fortaleceu sua economia, porque seu território não foi atingido e não foram necessários gastos para reconstrução. Suas exportações, de produtos industrializados, para os países aliados, tiveram aumento significativo. O Brasil perdeu 1.889 combatentes, 34 navios e 22 aviões de combate. Após a guerra, tornou-se o país mais poderoso e rico da América do Sul, se tornou um ator global e um dos apoiadores na criação das Nações Unidas. A guerra fortaleceu o patriotismo, a experiência de combate ao lado dos aliados trouxe novos padrões para a educação e treinamento militar. Os ensinamentos que os veteranos de guerra trouxeram de suas experiências no exterior deram início ao processo de modernização do país.

9- Em 1980, foi a vez da crise da Dívida dos Países da América Latina. No final dos anos 60 e em boa parte dos anos 70, países latino-americanos aproveitaram o crédito barato e abundante e se endividaram rapidamente. Os recursos foram aplicados principalmente em projetos de infraestrutura, o que gerou altas taxas de crescimento, entre 1967 e 1974. O PIB brasileiro, por exemplo, dobrou de tamanho. Os problemas começaram com a explosão dos preços do petróleo, elevação da inflação americana e o aumento dos juros. Os países em desenvolvimento, que tinham obtido empréstimos corrigidos com taxas pós-fixadas, sofreram com os juros e com as dívidas impagáveis. Os efeitos foram a queda na atividade econômica, aumento descontrolado da inflação e a volatilidade cambial. México, Brasil e Argentina pediram moratória. Em termos per capita, o PIB da América Latina caiu quase 9%, o que tonou o período conhecido como a década perdida.

10- Em 1989, enquanto a América Latina ainda enfrentava a crise do endividamento, surgia no Japão a crise que ficou conhecida como a Bolha Imobiliária e das Ações, decorrente da euforia que tomou conta do Japão nos anos 80. Entre 1980 e 1991, o PIB do Japão cresceu 66,2% e a previsão, na época, era que o Japão se tornaria a maior economia mundial. Esse otimismo tomou conta das empresas e os investimentos cresceram devido à abundância do crédito, que impulsionou o consumo e o mercado imobiliário. O preço dos imóveis dobrou em três anos e em 1989, os problemas começaram. Diante da alta nos preços dos imóveis, o BC japonês orientou as instituições financeiras a limitarem os empréstimos bancários. A farra dos refinanciamentos de imóveis acabou e deixou muita gente em dificuldade financeira. Os preços dos imóveis caíram pela metade entre 1990 e 1991, levando junto o preço das ações. Os danos foram imensos, só após seis anos a economia japonesa voltou a crescer a um ritmo superior a 2%. A crise do Japão, refletiu no mundo todo, especialmente nos países da Escandinávia e na Finlândia que enfrentaram bolhas (imobiliárias e de ações) semelhantes.

11- Em 1994 foi a vez da Crise dos Mercados Emergentes, o México foi quem sentiu primeiro. Os investidores estavam confiantes no país, que tinha crescido e que estava se integrando ao Nafta. O PIB crescia próximo aos 4% ao ano. Títulos mexicanos de curto prazo, foram emitidos em pesos e garantiam o pagamento em dólares, mas as instabilidades políticas crescentes, aumentaram o risco e afastaram investidores. Com o acúmulo dos déficits na balança comercial, para manter o valor da moeda, o BC mexicano começou a se desfazer das reservas. Em 1995 o país passou por uma violenta recessão, com o PIB encolhendo 6,3%. A partir de 1997, foi a vez do Sudeste Asiático. Apesar das fortes taxas de crescimento, superiores a 6% ao ano, as economias estavam fragilizadas, com endividamento crescente, déficits nas contas externas e “bolhas de crédito” utilizadas para estimular o crescimento. A partir de 1995, quando houve a desvalorização do iene japonês e do renminbi chinês, frente ao dólar americano, uma série de ataques especulativos passou a atingir as moedas da Tailândia e da Indonésia. A taxa de câmbio despencou e mesmo com a ajuda do FMI, não foi possível conter o problema. A Coreia do Sul e a Malásia, também foram afetados. A crise diminuiu a demanda por commodities, reduziu os preços do petróleo e dos minerais não ferrosos. A Rússia, grande exportador desses produtos, viu seu PIB encolher 40,1% entre 1991 e 1996. Com esse quadro, o país foi obrigado a desvalorizar o rublo e suspender o pagamento de dívidas a credores estrangeiros. O outro país a ser atingido foi o Brasil. Apesar do Plano Real, de 1994, ter acabado com a elevada inflação, o país apresentava problemas estruturais, como juros elevados e câmbio sobrevalorizado. E mesmo com o corte de despesas e o aumento da carga tributária, o Brasil sofreu com o aumento da dívida externa, com a dívida pública e teve sua economia abalada.

12- Em 2008, aconteceu a Crise Mundial do Subprime. A economia mundial que crescia desde 2004, a taxas próximas a 5%, foi impactada pelo aumento da inadimplência no mercado imobiliário americano, decorrentes das altas taxas de juros, o que levou grandes instituições financeiras à falência, como por exemplo o Lehman Brothers, o Bear Stearns e o Merril Lynch. Para recuperar a confiança dos investidores, o governo norte-americano socorreu instituições com problemas de liquidez, comprando US$ 700 bilhões em ações.

Na Inglaterra, foram investidos 500 bilhões de libras esterlinas (US$ 867 bilhões) no sistema bancário do país. Na Islândia, os três maiores bancos privados foram assumidos pelo governo. Estados Unidos, União Europeia e Japão sofreram perdas de 2,4%, 4,2% e 5%, respectivamente, no PIB. Países altamente endividados na época, como Portugal, Espanha, Grécia e Itália passaram a enfrentar problemas para rolar suas dívidas. A economia grega encolheu 26,5%. Comparado com os esses países, o Brasil foi menos impactado.

AS 6 MAIORES CRISES ECONÔMICAS NO BRASIL

1- Em 1822, aconteceu a Crise da Independência, quando D. Pedro I proclamou a Independência do Brasil, o país já vivia uma crise econômica. Na década de 1820, as exportações de açúcar caíram, o governo tomou altos empréstimos na Inglaterra para indenizar Portugal pela Independência e financiar a Guerra da Cisplatina (1825-1828). A situação só começou a melhorar na década de 1840, quando fazendeiros do Sudeste começaram a exportar o café para o mercado internacional, e transformaram o produto em fonte de divisas.

2- Em 1889, foi a vez da Crise do Encilhamento. Quando o marechal Deodoro da Fonseca proclamou a república, ele pretendia inaugurar uma nova era na economia e para isso autorizou vários bancos a emitirem dinheiro e fazerem empréstimos livremente para a população. A intenção do plano, era estimular os negócios e a industrialização, mas o resultado foi uma grande alta da inflação e uma enorme bolha especulativa que estourou em 1891. Uma série de falências e a inflação fora de controle afundaram a economia brasileira em uma crise que só foi superada no começo da década seguinte, quando o governo Campos Salles (1898-1902) realizou um duro ajuste fiscal para colocar as contas do país em ordem novamente.

3- Em 1929, o Brasil foi afetado pela crise da Quebra da Bolsa de Nova York, que prejudicou os principais países compradores do café brasileiro, derrubaram as vendas do produto e prejudicaram os produtores locais. Em 1930, o governo de Getúlio Vargas comprou e queimou sacas de café para garantir o preço mínimo do produto. Para sair dessa crise, Vargas investiu em infraestrutura e no desenvolvimento da indústria pesada. Essa iniciativa abriu caminho para a industrialização do país ao longo das décadas de 1940 e 50.

4- Em 1980, a Crise da Dívida e da Hiperinflação, sucedeu o processo de industrialização que abriu caminho para o “Milagre Brasileiro”, quando o PIB cresceu em média mais de 10% ao ano, entre 1968 e 1973. Empolgado com a prosperidade, o governo tomou empréstimos nos Estados Unidos, mas em 1979, devido o aumento significativo da taxa de juros, o disparo da inflação e o aumento do dólar, a dívida externa se tornou impagável e as dificuldades se arrastaram por toda a década de 1980. O cenário só foi revertido em 1994, quando o Plano Real finalmente conseguiu estabilizar a economia.

5- Em 1999, a Crise da Desvalorização do Real (e dos Mercados Emergentes), atingiu não só o Brasil, mas todos os emergentes. A principal causa foi o real muito valorizado, para garantir os pagamentos dos altos juros e da dívida externa, que

enfraqueceram a indústria nacional e deixaram a economia brasileira muito vulnerável as turbulências externas. Em janeiro de 1999, a economia nacional não conseguiu mais resistir aos efeitos das crises asiática e russa, e o Banco Central promoveu uma grande desvalorização do real, o que provocou a quebra de bancos e um período de estagnação econômica que só foi revertido a partir de 2004.

6- Em 2014, teve início a crise do Choque Recessivo, que levou a um recuo no PIB, por dois anos consecutivos, de 3,8% em 2015 e de 3,3% em 2016. A crise agravou o desemprego, que atingiu o auge em março de 2017, com uma taxa de 13,7%, o que representou mais de 14 milhões de brasileiros desempregados. Em 2015, o governo optou pela adoção de um conjunto de políticas com o objetivo de enfrentar, os desequilíbrios da economia, relacionados às contas públicas, aos preços administrados, ao aumento do desemprego e a redução de salários reais. As principais medidas foram: juros subsidiados, crédito barato para os empresários (aliados do governo), acrescidas de taxas de exoneração, isenção fiscal e desvalorização cambial. Mas essas medidas, não foram eficazes e os escândalos decorrentes da corrupção no governo, que foi apurada pela investigação, que ficou conhecida como Lava Jato, e amplamente divulgada, afastou investidores, paralisou o governo e desencadeou a recessão.

Julho/2020

Publicado por Rodnei Domingues
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